Reflexão para 2º DOMINGO DA PÁSCOA

Leituras: Atos dos Apóstolos 4, 32-35; Salmo 117 (118); Primeira Carta de João 5, 1-6; e João 20, 19-31.

 

COR LITÚRGICA: BRANCO OU DOURADO

RITOS INICIAIS

(Que o Círio Pascal seja o grande sinal deste Tempo Pascal)

 

Animador: Aleluia, irmãos e irmãs! Cristo Ressuscitou!

Como o Tempo Pascal deve ser celebrado com alegria e exultação, como se fosse um só dia de festa, “um grande domingo”, (cf. Normas Universais do Ano Litúrgico, 22) faremos memória da grande Vigília Pascal, “mãe de todas as vigílias” (Sto. Agostinho). O fogo que acendeu o círio pascal fez memória da “Bênção do fogo novo”. Na celebração de hoje somos chamados a reconhecer que a misericórdia divina é o dom pascal que a Igreja recebe de Cristo Ressuscitado e oferece à humanidade. A presença de Cristo ao lado dos discípulos é sempre renovadora e transformadora, onde nos faz homens e mulheres, capazes de amar até o fim do jeito de Jesus.

 

1. Situando-nos

A Liturgia da Igreja, nestes dias de Páscoa, não se cansa de falar-nos da Ressurreição de Cristo. Toda a Palavra de Deus da Missa e da Liturgia das Horas está organizada para celebrar este mistério. Com isso a Igreja continua a missão dos apóstolos: “davam testemunho da Ressurreição do Senhor Jesus” (primeira leitura).

 

Ressuscitando dos mortos, passando da morte para a vida, Jesus transformou-se em fonte e meta de nossa caminhada missionária. Fonte de todos os bens que Ele anunciou em sua pregação. Neste domingo, indo ao encontro e manifestando-se vivo à comunidade dos discípulos, Ele retoma o sopro original da criação e transmite-lhe a reconciliação e a paz, dons de sua Páscoa. Mensagem muito oportuna para o Ano da Paz, instituído pela CNBB para este ano de 2015. Ilumina também o Domingo da Misericórdia, instituído por São João Paulo II.

 

Na celebração deste domingo, acontece para nós a mesma efusão do Espírito cujo relato ouviremos no Evangelho. Jesus se torna presente no meio de nossa assembléia como esteve presente no meio dos Onze reunidos oito dias depois da Páscoa; chega com as portas fechadas, porque não vem do exterior, mas do interior; sua presença nasce aqui no meio de nós, no sinal do pão e do vinho que se tornam o Corpo e o Sangue do Ressuscitado. Ele nos repete: a paz esteja convosco! Recebei o Espírito Santo.

 

2. Recordando a Palavra

No primeiro dia da semana, logo após o pôr-do-sol, a comunidade dos discípulos estava reunida num ambiente bem protegido, por medo das autoridades dos judeus. No ar, pairavam temor e insegurança. Talvez a notícia de Maria Madalena tivesse chegado aos seus ouvidos, mas assim mesmo, estavam atemorizados.

 

Somente a presença de Jesus poderia restituir alegria e garantir segurança. Superando os limites do espaço, o Ressuscitado coloca-se no meio deles, desejando a todos a paz e mostrando-lhes os sinais de seu amor e de sua vitória.

 

No reencontro, o temor cede lugar à alegria. Superado o medo, o Senhor o saúda novamente, enviando-os à missão. Sua paz os acompanhará no presente e no futuro, em meio às provações do mundo. Para que dêem continuidade à sua missão, Jesus confere aos seus escolhidos o alento de vida, o seu Espírito, que os capacita para a missão.

 

O resultado será constituir comunidades libertas e reconciliadoras, como testemunhas vivas do amor gratuito e generoso do Pai. Todavia, haverá os que manifestarão sua adesão a Jesus e outros que se refugiarão numa atitude de hostilidade.

 

Tomé, que era um dos doze, não participa do encontro comunitário com o Ressuscitado. Ele ouve o testemunho unânime de todos: “Vimos o Senhor!”. Mas não acolhe o testemunho como prova suficiente para acreditar que Jesus esteja vivo. Ao contrário, exige prova individual e extraordinária.

 

Alguém poderia ver nisto uma atitude de teimosia. Ocorre que o encontro com o Ressuscitado, que fundamenta a fé, realiza-se mediante a experiência do amor na comunidade. Tomé estava ausente! Entretanto, oito dias depois, a comunidade volta a se reunir e, agora, Tomé está presente.

 

O Senhor reaparece para a alegria da comunidade e em seguida, dirige-se a Tomé revelando-lhe seu amor nos sinais que traz nas mãos e no lado. O discípulo, sem apelativos, reconhece o Ressuscitado e aceita-O, expressando sua adesão total: “Meu Senhor e Meu Deus!”. É, porém, censurado por não crer no testemunho da comunidade e exigir uma experiência individual.

 

Na verdade, Tomé invertera a ordem, sem escutar os discípulos e sem perceber a nova realidade criada pelo Espírito, queria encontra-se com o Jesus que conhecera na caminhada. Todavia, encontra-se com o Senhor na experiência vivenciada pela comunidade de fé. Tomé reconhece em Jesus o servo glorificado, acredita e proclama: “Meu Senhor, e meu Deus”. Porém, felizes serão os discípulos que acreditarão, sem terem visto (Evangelho).

 

A experiência de amor da comunidade de fé no Senhor ressuscitado manifesta-se no espírito de comunhão fraterna e na partilha dos bens. “Ninguém considerava propriedade particular as coisas que possuía, mas tudo era posto em comum”. Além disso, “Entre eles ninguém passava necessidade”.

 

O encontro com o Ressuscitado requer ruptura com as práticas egoístas e concentradoras, que geram a exclusão, a fome e todo tipo de necessidades. A comunidade alicerçada no amor fraterno e na partilha dos bens, constitui-se em testemunho palpável da presença do Ressuscitado entre os seus discípulos ao longo dos tempos (primeira leitura).

 

João sublinha que, pela fé em Cristo, os batizados tornam-se filhos de Deus e, portanto, irmãos uns dos outros. Não se pode querer amar a Deus, sem amar aqueles de quem ele é Pai. O sinal que atesta a caridade fraterna (o amor aos irmãos) é a observância dos mandamentos de Deus (segunda leitura).

 

3. Atualizando a Palavra

A exemplo das primeiras comunidades cristãs, reunimo-nos para escutar a Palavra, rezar, participar da ceia do Senhor. É a comunidade que tem como centro Jesus Cristo vivo e presente, crucificado e ressuscitado.

 

Sua presença suscita confiança e segurança. Desta presença, emerge a força de vida que anima à missão de comunidade reconciliadora, libertando as pessoas de tudo quando as mantém subjugadas às forças que geram medo e insegurança.

 

Como no passado, hoje muitas pessoas vivem de “portas trancadas”. Dominadas pelo medo e pela insegurança, aguardam por melhores dias de justiça e de paz. “A paz esteja com vocês!”. Assim como a saudação do Ressuscitado restaurou a paz e a alegria na comunidade dos discípulos, Ele, hoje, nos torna protagonistas da paz. “Eu também envio vocês!”, assim a paz precisa ser conquistada, construída pelo empenho de todos, no dia a dia, para que ela aconteça.

 

A comunidade que acolhe e manifesta sua adesão ao Senhor é enviada pelo Espírito do Ressuscitado a testemunhar o amor do Pai, isto é, a prolongar, no curso dos tempos, a oferta de vida que, em Jesus, Deus fez à humanidade. O Reino de vida que Cristo veio trazer é incomparável com as situações desumanas de muitos abandonados, excluídos e ignorados em sua miséria e dor.

 

Se pretendemos fechar os olhos diante dessas realidades, não somos defensores da vida do Reino e nos situamos no caminho da morte: “Nós sabemos que passamos da morte para a vida porque amamos os irmãos. Quem não ama, permanece na morte” (1Jo 3,14; cf. DAp, n.358). A aceitação ou rejeição deste amor é, para a comunidade cristã, critério de discernimento de seu empenho no serviço, na missão recebida de Jesus, para que todos tenham vida e vida em plenitude.

 

Neste aspecto, a comunidade reunida contempla a glória do Ressuscitado e o esplendor de seu amor. “Tocar suas mãos e seu lado” é estar em comunhão com Ele e d’Ele receber o espírito de vida nova. A contemplação dos sinais da vitória de Cristo ressuscitado e do amor fiel pelos seus até o fim, impulsiona a comunidade à missão.

 

As inúmeras iniciativas na perspectiva da promoção humana, da solidariedade e da busca de soluções face à realidade desumana em que vivem milhões de nossos irmãos e irmãs, devem ser animadas pelo amor do Pai que nos fez todos seus filhos e irmãos, em Jesus Cristo sob a ação do Espírito Santo.

 

A comunidade eclesial é, portanto, o lugar primordial onde, na fé, se acolhe e se reconhece a presença e a atuação do Ressuscitado, onde se manifesta e se irradia seu amor. Tomé é o protótipo daqueles que não valorizam o testemunho comunitário e são insensíveis aos sinais da presença do novo, pois estão surdos e indiferentes aos apelos de vida que se revelam na sociedade.

 

Pensam apenas em si mesmos e exigem demonstrações particulares. Tomé é um exemplo contra o qual é preciso precaver-se. O mais importante, porém, é que ele supera esta dificuldade e é capaz de professar a fé no ressuscitado.

 

Jesus alerta que a fé nos liberta do isolamento do eu, porque nos conduz à comunhão. Ser cristão, hoje, requer e significa pertencer a uma comunidade concreta na qual se pode viver uma experiência permanente de discipulado e de comunhão.

 

A figura de Tomé é eloqüente para os nossos dias, pois diante da tentação, muito presente na cultura atual, de ser cristão sem Igreja e das novas buscas espirituais individualistas, afirmamos que a fé em Jesus Cristo nos chegou pela comunidade eclesial. Não há portanto, discipulado sem comunhão (cf. DAp, n.156).

 

O Ressuscitado nos assegura que são “Bem-aventurados os que não viram, e creram” (Jo 20,29). Felizes são aqueles que aderem à pessoa de Jesus no cotidiano da vida e empenham-se totalmente na esperança de um novo mundo.

 

Crer na perspectiva do quarto Evangelho, é mais do que uma atividade intelectual. Crer é entregar-se ao outro e empenhar-se por inteiro à sua causa. Crer é ir até as últimas conseqüências com Aquele por quem se optou. Crer é estabelecer com Ele uma relação pessoal que se transforma em amor. Crer é abrir os olhos para reconhecer no Ressuscitado o sentido a vida: “Meu Senhor e meu Deus!”.

 

Ter fé é vida, é amar, é agir de forma concreta na história a partir de Jesus Cristo ressuscitado a quem se aderiu como discípulo. Nessa profunda e viva adesão a Cristo, é que seremos discípulos felizes. Não vimos, mas cremos! São Tomé, rogai por nós.

 

4. Ligando a Palavra com ação litúrgica

“Era o primeiro dia da semana”. “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma”. O domingo é o dia da reunião da comunidade. Os cristãos, ao longo dos séculos, sempre sentiram esse dia como o “primeiro da semana”, porque nele se faz memória da novidade radical trazida por Cristo.

 

Por isso, o domingo é o dia em que o cristão reencontra a forma eucarística própria da sua existência, segundo a qual é chamado a viver constantemente: viver segundo o domingo, significa viver consciente da libertação trazida por Cristo e realizá-la como oferta de si mesmo, para que a sua vitória se manifeste plenamente a todos através de uma conduta intimamente renovada (cf. SC, n.72).

 

A comunidade de fé edifica-se pela participação daqueles que crêem na presença e aderem ao novo inaugurado pelo Ressuscitado. A Eucaristia é o lugar privilegiado do encontro dos discípulos com Jesus Cristo. O Ressuscitado nos atrai para si e nos faz entrar no dinamismo das relações com Deus e com o próximo.

 

Em cada Eucaristia, os cristãos celebram e assumem o mistério pascal. Portanto, os fiéis devem viver sua fé na centralidade do mistério pascal de Cristo através da Eucaristia, de maneira que toda a sua vida seja cada vez mais eucarística.

 

A Eucaristia, fonte inesgotável da vocação cristã, é, ao mesmo tempo, fonte inextinguível do impulso missionário (cf. DAp, n.251). Ela ainda, “impele todo o que acredita em Jesus ressuscitado a fazer-se ‘pão repartido’ para os outros e, consequentemente, empenhar-se por um mundo mais justo e fraterno” (SC, n. 88).

 

“Ninguém considerava seu o que possuía, mas tudo era comum entre eles… e não havia necessitados entre eles” (At 4, 32.34). A Igreja como comunidade de amor, nutrida com o pão da Palavra e com o pão do Corpo de Cristo, além de testemunhar e promover a caridade, deve denunciar as situações indignas em que vivem milhões de pessoas, as quais morrem à míngua de alimento por causa da injustiça e da exploração (cf. SC, n. 90).

 

Oração da Assembléia

Presidente: Na alegria que nos envolve nesta festa pascal, elevemos ao Pai nossas preces, a fim de que possamos levar vida nova e renovada.

1. Senhor, iluminai a Igreja, para que dia e noite cante o teu louvor. Peçamos:

Todos: Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé!

2. Senhor, iluminai nossos governantes, para que tenham olhos para os mais necessitados. Peçamos:

3. Senhor, iluminai os que sofrem para que não percam a esperança de uma vida melhor. Peçamos:

4. Senhor, iluminai nossa comunidade, que está sempre na luta pela evangelização. Peçamos:

(Outras intenções)

Presidente: Aumentai em nós a fé e a misericórdia, Senhor, para que possamos evangelizar, promovendo a vida nova que vem da Ressurreição do teu Filho. Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém!

 

III. LITURGIA EUCARÍSTICA

Oração sobre as oferendas:

Acolhei, ó Deus, as oferendas do vosso povo (e dos que renasceram nesta Páscoa), para que, renovados pela profissão de fé e pelo batismo, consigamos a eterna felicidade. Por Cristo, nosso Senhor.

Todo: Amém.

 

Oração depois da comunhão.

Concedei, ó Deus onipotente, que conservemos em nossa vida o sacramento pascal que recebemos. Por Cristo, nosso Senhor.

T.: Amém.

 

ATIVIDADES DO BISPO DIOCESANO

Dia 10 de abril – sexta-feira: Crisma – Santa Rita de Cássia – Leme – 20h – Padre Wellington Silva.

 

Dia 11 de abril – sábado: Crisma – Comunidade São José – Sagrado Coração de Jesus – Conchal – 19h30min – Padre Denisar Cirilo.

 

Dia 12 de abril- domingo: Crisma – São Manoel – Leme – 10h00 – padre João Delmiglio; Crisma – São Pedro – Engenheiro Coelho – 19h00 – Padre Odirlei Marangoni; Encontro do Pastoral Missionária da Sub-Região Campinas, o dia todo, na Paróquia São José, Pe. Jaime, Limeira, SP.

 

Dia 14 de abril- terça-feira: Reunião – Conselho Episcopal – casa do bispo – 09h00; Missa – Tríduo – Santo Expedito – Araras – 19h30min – Padre Marcos Vieira.

 

Dia 15 a 24 de abril:53ª Assembleia Geral da CNBB – Aparecida, SP.

 

Dia 19 de abril – domingo: “Ressuscitou” em Araras.

 

Dia 23 de abril – quinta-feira: Encontro com atendentes paroquiais.

 

Dia 26 de abril – domingo: Encontro de formação da Pastoral Familiar – Sub-Região Campinas – 08h00 ate 18h00 – Centro de Eventos Lival – Limeira -Oração de abertura com o Bispo Vilson – Diocese de Limeira – 08h ate 09h00;

 

Dia 26 de abril – domingo: Dedicação da Igreja Matriz São José Operário – Leme – Padre Johnny – 16h00.

 

IV. RITOS FINAIS

BÊNÇÃO E DESPEDIDA:

Pres.: O Senhor esteja convosco. Aleluia. Aleluia.

T.: Ele está no meio de nós. Aleluia. Aleluia.

 

Pres.: Abençoe-vos o Deus todo-poderoso nesta solenidade da Páscoa, cheio de misericórdia vos defenda de todo o perigo do pecado. Aleluia. Aleluia.

T.: Amém. Aleluia. Aleluia.

 

Pres.: E aquele que na ressurreição do seu Unigênito vos restaura para a vida eterna vos cumule com os prêmios da imortalidade. Aleluia. Aleluia.

T.: Amém. Aleluia. Aleluia.

 

Pres.: A benção de Deus todo-poderoso Pai e Filho + e Espírito Santo desça sobre vós e permaneça para sempre. Aleluia. Aleluia.

T.: Amém. Aleluia. Aleluia.

Pres.: Levai a todos a alegria de Jesus Ressuscitado, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

T.: Graças a Deus, Aleluia. Aleluia.

 

(Despede a assembléia)

 

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