Reflexão para o 4º DOMINGO DA PÁSCOA

Leituras: Atos 24, 8-12; Salmo 118; Primeira Carta de João 3, 1-2; João 10, 11-18.

 

COR LITÚRGICA: BRANCA OU DOURADA

 

Animador: Aleluia irmãos e irmãs! Cristo Ressuscitou! Como o Tempo Pascal deve ser celebrado com alegria e exultação, como se fosse um só dia de festa, “um grande domingo”, (cf. Normas Universais do Ano Litúrgico, 22) faremos memória da grande Vigília Pascal, “mãe de todas as vigílias” (Santo Agostinho). O fogo que acendeu o círio pascal fez memória da Bênção do fogo novo. Somos convidados por Jesus a fazer parte do seu rebanho e aprender Dele o seu jeito de ser Igreja. Nossa comunidade é convidada a ouvir sua voz e seguir sua proposta. Ele sustenta nossa vida e suas palavras nos dão segurança. Rezemos por todos os vocacionados para que possam viver o serviço do Reino de Deus e por todos nossos dizimistas.

 

1. Situando-nos brevemente

Os cinquenta dias do Tempo Pascal não são uma celebração cronológica, em que vamos recordando sucessivamente acontecimentos distintos (aparições, Ascensão, Pentecostes). É um tempo que quer nos fazer entender e celebrar melhor o Mistério de Cristo e entrar na sua Páscoa, que continua viva em nossa história.

 

A mestra para esse caminho é a própria celebração, com seus textos bíblicos, orações, cantos, pregação: através de tudo isso o Espírito Santo vai conduzindo-nos à profundidade da Vida de Cristo, o Bom Pastor.

 

Nesse 4º Domingo da Páscoa, chamado também de Domingo do Bom Pastor, olhamos para o Pastor exemplar: Jesus. A partir desse olhar, percebemos a necessidade de Pastores verdadeiros para a construção do Reino de Deus. Pastores que cuidem do rebanho e reúnam as ovelhas que não estão no redil da Igreja. Por isso, rezamos pelas vocações, especialmente as vocações ao ministério ordenado.

 

O texto do Evangelho de hoje, proferido por Jesus antes da Páscoa, encontra nela sua plena realização: a entrega da vida sem perdê-la! É o grande mistério da Ressurreição, que só pode ser vivida na fé e no amor a Deus e aos irmãos.

 

2. Recordando a Palavra

Dentro do capitulo 10, sobre o pastoreio, temos a passagem do Evangelho de hoje, segundo João. Encontramos três subdivisões nesse texto, que Konings intitula: “O pastor exemplar (vv.11-18)”. Vejamos a estrutura do texto: “a) Eu sou o pastor exemplar e empenho a vida pelas ovelhas; o assalariado foge e deixa o rebanho dispersar-se (vv. 11-13); b) Eu sou o pastor exemplar e empenho a vida pelas ovelhas, e reúno as ovelhas também de outros lugares (vv. 14-16); c) o sentido profundo de empenhar (dar) a vida (v. 17-18)” (KONINGS, John. Evangelho seguindo ao – amor e fidelidade. São Paulo. Loyola, 2005, p. 204. Seguimos este exegeta na reflexão desta perícope).

 

Jesus se autoproclama o “Bom Pastor”. Os exegetas afirmam que a tradução exata do grego não seria “bom”, mas belo, nobre, valente adequado, acertado, exemplar, excelente. “Bom” não está aqui no sentido moral, mas no sentido de Jesus ser o pastor exemplar, como devem ser todos os pastores.

 

Jesus apresenta a diferença que há entre um pastor assalariado e ele: o assalariado não se importa com as ovelhas, porque elas não são suas; o pastor-proprietário depende das ovelhas para viver, não é nada sem elas.

 

O texto prossegue com a explicação da comunhão que há entre Jesus e as ovelhas, fundamentada na comunhão anterior: Jesus e o Pai. É por causa da comunhão com o Pai e com as ovelhas que Jesus empenha – dá, arrisca – sua vida por elas. E continua: o pastor exemplar não se preocupa apenas com as ovelhas que já estão perto, mas ele quer abranger todas. Temos, como no domingo passado, o tema do universalismo da salvação.

 

Fecha-se o texto com o tema de amor, que não é um amor simplesmente sentimental. A fonte do amor de Jesus é o Pai. O Pai ama Jesus; Jesus ama os que são do Pai ao ponto de entregar a sua vida por eles. Por isso fala da entrega livre que faz da própria vida.

 

O texto dos Atos dos Apóstolos mostra uma leitura em perspectiva cristológica da passagem de Isaías 28, 16: “por isso diz o Senhor Deus: ‘Colocarei no monte Sião uma pedra, pedra testada, pedra angular de valor, para alicerce seguro: quem nela confiar, não ficará abalado”. Também o Salmo de Hoje (117) fala da pedra que os pedreiros rejeitaram, e que se tornou agora a pedra angular (v.22).

 

Pedro faz o anúncio explícito da morte e Ressurreição de Cristo, rejeitado por Israel e ressuscitado por Deus. É nele que se encontra a salvação, e em nenhum outro.

 

Relacionando a primeira leitura com o Evangelho, vemos que Cristo, pela sua paixão – vida entregue pelas ovelhas – se torna a pedra que sustenta a salvação.

 

Pela fé em Jesus Cristo nos tornamos filhos de Deus. Isso é um presente de amor recebido do Pai. Além de sermos chamados assim, o somos de fato! É o que atesta a Primeira Carta de João. O amor de Deus em Cristo já nos dá uma identidade nova, mas ainda não totalmente manifesta neste mundo. Na parusia, quando Jesus se manifestar, nos veremos semelhantes a Ele, contemplando-o como Ele é.

 

3. Atualizando a Palavra

Aos que vão pregar esta palavra, sugerimos começar pelo confronto da própria vida com ela. O Papa Francisco recorda que “quem quiser pregar, deve primeiro estar disposto a deixar-se tocar pela Palavra e fazê-la carne na sua vida concreta” (EG, n. 150).

 

Devemos nos perguntar se somos pastores assalariados ou pastores que amam as ovelhas a ponto de se entregar por elas; qual nossa proximidade com as ovelhas? E as que estão fora do redil, são ainda de nosso interesse?

 

A atualização da Palavra, neste Domingo do Bom Pastor, parte sempre da exemplaridade de Cristo: Ele é a referência e nosso critério de avaliação pessoal, comunitária e eclesial. Todo pastoreio autêntico precisa nascer do amor e da comunhão com o Pai. Dessa comunhão passamos à reciprocidade humana no amor. E isso é que impulsionará à entrega livre da vida pelo outro.

 

Nosso tempo está saturado de palavras, mas carece de exemplos, de testemunhos autênticos, motivadores. Corremos a tentação de nos contentar com uma comunidade que seja um pequeno rebanho, desistindo de ter a esperança da unidade de todas as ovelhas ao redor do Pastor.

 

Gastar a vida, entregar a vida no pastoreio é o prolongamento da missão de Cristo Ressuscitado. Sua Páscoa realiza o que está anunciado neste Evangelho: entrega da vida para recebê-la novamente. Só uma confiança inabalável na ação de Deus é que pode motivar a entrega da vida sem frustração, medo ou reserva.

 

Nossa ação cristã, como a de Pedro, é dar vida, curar, salvar. E não por nossa força ou mérito, mas pela graça de Cristo, o Salvador. Novamente o Papa Francisco nos exorta: “A Ressurreição de Cristo produz por toda a parte rebentos deste mundo novo; e, ainda que os cortem, volta a despontar, porque a Ressurreição do Senhor já penetrou a trama oculta desta história; porque Jesus não ressuscitou em vão. Não fiquemos à margem dessa esperança viva!” (EG, n.278).

 

4. Ligando a Palavra com ação litúrgica

A assembléia litúrgica se reúne por convocação de Deus. É Ele que nos reúne no amor de Cristo. É característica essencial do Cristianismo a dimensão eclesial: não vivemos a fé sozinhos, mas formamos um povo, uma Igreja, um rebanho. Não é uma coletividade que observe o individuo, mas lhe dá plena identidade.

 

“Só há liturgia cristã quando o povo de Deus está reunido. Por tanto, condição de possibilidade de cada ação litúrgica é a convocação do povo. (…) A tal chamado o povo responde, reunindo-se em assembléia: nisso consiste o primeiro ato litúrgico do povo” (Boselli, Gofredo. O Sentido Espiritual da Liturgia. Brasília. Edições CNBB, 2014, p. 100).

 

O rebanho se reúne ao chamado do Pastor. Na Eucaristia, o Pastor exemplar, o Bom Pastor alimenta as suas ovelhas: dá-lhes sua Palavra e seu Pão, dá-se como alimento. O Pai o ama por isso: porque Ele dá a vida por suas ovelhas.

 

O presente de amor recebido do Pai é esse: sermos filhos seus, alimentados por Ele. Pedro nos recorda que não há salvação fora de Jesus. A celebração eucarística proclama a todo o mundo a paixão, morte e Ressurreição do Senhor, fonte de nossa salvação.

 

Preces dos fiéis

Presidente: Como filhos e filhas de Deus, que em Jesus bom Pastor, se faz fundamento da vida e voz que orienta os passos de nossa existência, elevemos nossas preces com confiança.

1. Senhor, transformai a Igreja em comunidade orante, acolhedora e que saiba testemunhar a fé na ressurreição de Jesus.  Peçamos:

Todos: Jesus Bom Pastor, guia-nos ao Pai!

2. Senhor, que os governantes que foram eleitos para servir da melhor forma possível toda a sociedade, possam atuar de forma humana e solidária, sem excluir ninguém. Peçamos:

3. Senhor, pelos que procuram cultivar os dons recebidos para que possam colocá-los a serviço dos outros. Peçamos:

4. Senhor, abençoai nosso pároco em seu ministério sacerdotal. Peçamos:

5. Senhor, suscitai jovens dispostos a seguirem teu anúncio do Evangelho servindo o povo. Peçamos:

6. Senhor, abençoai e protegei todos os nossos dizimistas, nunca os deixem passar por necessidades e fortalecei sempre sua fé na Igreja. Pedimos:

(Outras intenções)

Presidente: Ó Pai acolhei os pedidos em nosso favor e de um modo especial, em favor daqueles que buscam reestruturar a vida no Evangelho e no seguimento do Bom Pastor, que convosco vive e reina pelos séculos dos séculos.

Todos: Amém.

 

III. LITURGIA EUCARÍSTICA

ORAÇÃO SOBRE AS OFERENDAS:

Presidente: Concedei, ó Deus, que sempre nos alegremos por estes mistérios pascais, para que nos renovem constantemente e sejam fonte de eterna alegria. Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

 

ORAÇÃO APÓS A COMUNHÃO:

Presidente: Velai com solicitude, ó Bom Pastor, sobre o vosso rebanho e concedei que vivam nos prados eternos as ovelhas que remistes pelo sangue do vosso Filho. Que vive e reina para sempre.

Todos: Amém

 

ATIVIDADES DO BISPO DIOCESANO

Dia 26 de abril – domingo: Encontro de formação da Pastoral Familiar – Sub-Região Campinas – 08h00 ate 18h00 – Centro de Eventos Lival – limeira (Oração de abertura com Dom Vilson) das 08h00 ate 09h00; Dedicação da Igreja Matriz São José Operário – Leme – Padre Johnny – 16h00.

 

Dia 29 de abril – quarta-feira: Atendimento na residência episcopal – 09h0 ate 11h00; gravar Milícia – 13h40min; Crisma – São Jorge – Nova Odessa – 19h30min – Padre Itamar.

 

Dia 01 de maio- sexta-feira: Reinauguração da Santa Rita de Cássia – 18h00 – Pirassununga, Padre Mauro.

 

Dia 02 de maio- sábado: Crisma – São José Operário – 18h00 – Leme – Padre Johnny

 

Dia 03 de maio – domingo: Crisma – São Domingos de Gusmão, às 11h00, Padre Lázaro, cidade de Americana; Crisma – São Luiz Gonzaga – 19h00 – Padre Julio – Americana.

 

RITOS FINAIS e BÊNÇÃO

Presidente: O Senhor esteja convosco. Aleluia. Aleluia.

Todos: Ele está no meio de nós. Aleluia. Aleluia.

 

Presidente: Abençoe-vos o Deus todo-poderoso Pai +, Filho e Espírito Santo.

Todos: Amém. Aleluia. Aleluia.

 

Presidente: Vamos em paz e que o Senhor vos acompanhe.

Todos: Graças a Deus, Aleluia, Aleluia!

 

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