Reflexão para o 6º DOMINGO DA PÁSCOA

Leituras: Atos 8, 5-8.14-17; Salmo 65 (66), 1-3a.4-5.6-7a.16 e 20 (R/1-2a); Primeira Carta de Pedro 3, 15-18; João 14, 15-21.

COR LITÚRGICA: BRANCA OU DOURADA

Animador:Nesta Eucaristia, somos preparados para o recebimento do grande dom de Deus aos seus filhos e filhas: o Espírito Santo, que nos acompanha em todos os momentos. Pelo Espírito não estamos órfãos. Peçamos a Deus que, por meio do Espírito Santo, sejamos homens e mulheres verdadeiros, irmãos uns dos outros, buscando a vida e nos tornando semelhantes ao Pai.

1. Situando-nos brevemente

Hoje, a liturgia dominical nos coloca em clima de Pentecostes. A partir deste domingo, ao mesmo tempo e que invocamos a vinda do Espírito prometido, somos chamados a crer na sua presença, que age no mundo como dom permanente do Ressuscitado.

Como diz um pai da Igreja, Cirilo de Alexandria: “Os que possuem o penhor do Espírito e vivem na esperança da ressurreição, como se já possuíssem aquilo que esperam, podem dizer que são pessoas espirituais… Já não vivem mais sujeitos à fraqueza da corrupção, porque finalmente chegou a justiça do Cristo” (CARPANEDO, Penha; GUIMARÃES, Marcelo. Dia do Senhor: guia para as celebrações das comunidades, ciclo pascal. São Paulo. Apostolado Litúrgico, 1997, p.286).

A comunidade reunida é sinal sacramental da presença de Cristo. Testemunhamos sua presença na unidade – um só corpo, reunido em seu amor. Como afirma Santo Agostinho, “é este amor que nos renova, transformando-nos em homens novos, herdeiros da nova Aliança, cantores do canto novo. Foi este amor, caríssimos irmãos, que renovou outrora os antigos justos, os patriarcas e os profetas e, posteriormente, os santos apóstolos”…

Ainda hoje é ele que renova as nações e reúne todo o gênero humano espalhando pelo mundo inteiro, formando um só povo novo, o corpo da nova esposa do Filho unigênito de Deus (…). Por isso os membros desta esposa sentem uma solicitude mútua. Se um membro sofre, todos sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele. Pois ouvem e praticam a palavra do Senhor” (SANTO AGOSTINHO, Dos Tratados sobre o Evangelho de São João, Tract. 65,1-3; CCI 36, 490-492).

Que sejamos sinais do amor verdadeiro no mundo em que vivemos. Vamos ser reconhecidos pelo amor.

2. Recordando a Palavra

Na leitura do evangelho de João, Jesus, antes de sua partida, ensinou os discípulos a amar como caminho para crer e testemunhar sua presença viva: “Se me amais, observareis os meus mandamentos” (14,15). Trata-se do verdadeiro amor “ágape”, que Jesus viveu através do serviço e da entrega total da vida.

O seguimento leva a amar como Jesus amou (cf. 13,34; 15,12), buscando o bem das pessoas. A vivência do mandamento do amor, deixado por Jesus como sinal de sua vida, doada totalmente, identifica seus seguidores: “Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (13,35). Quem ama Jesus, vive e testemunha suas palavras, guarda os seus mandamentos, que se referem ao evangelho, a toda a sua obra de amor.

Jesus não deixa seus discípulos órfãos. Sua presença renova os discípulos através do Espírito: “Eu pedirei ao Pai, e Ele vos dará um outro Defensor, que ficará sempre convosco: o Espírito da Verdade” (14,16-17). O sentido do termo Paráclito – defensor, advogado, consolador, confortador – caracteriza a missão do Espírito junto aos seguidores de Jesus. O Espírito conduz a caminhada dos discípulos, fortalece e defende os que são perseguidos e levados aos tribunais.

A função do Paráclito, como aquele que está sempre com os discípulos, para defendê-los do que poderia separar do caminho de Jesus, é descrita também em 14, 26; 15,26; 16, 4b-15, sempre no contexto da despedida. Assim, em 1Jo 2,1-2, o termo Defensor aparece como uma designação do Cristo exaltado, advogado, intercessor junto ao Pai em favor dos cristãos.

A presença do Espírito, dom de Cristo ressuscitado, guia os discípulos na compreensão de sua vida e entrega por amor. O Espírito da Verdade ilumina e conduz a missão dos discípulos, em direção à Verdade plena que é Cristo. Jesus, antes de sua Páscoa, assegurou a vinda do Espírito, para “guiar em toda a verdade” (16,13). Ele disse que o Pai enviaria o Espírito em seu nome para ensinar e recordar tudo o que ele havia anunciado (cf. 14,26).

O Espírito faz compreender os ensinamentos de Jesus, suas palavras e obras, sua forma de tratar as pessoas, seus gestos compassivos, sua vida doada por amor. A presença viva do Espírito do Ressuscitado ensina a permanecer no caminho da verdade, que liberta e gera o mundo novo do amor, da justiça e da fraternidade.

A ação do Espírito guia os discípulos à experiência de comunhão com Jesus ressuscitado: “Sabereis que eu estou no Pai e vós estareis em mim” (14,20). Esse caminho experiencial sustenta a fé e o testemunho da verdade, que conduz à vida plena. É alimentado pelo amor: “Quem me ama será amado por meu pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele” (14,21).

O caminho do amor leva ao encontro do Ressuscitado, na comunhão e na unidade com o Pai, que é Amor. A presença viva de Jesus, que permanece com os discípulos por meio do Espírito, impede a seguir seus passos, testemunhando a fé através do amor fraterno.

A primeira leitura dos Atos dos Apóstolos mostra que a perseguição aos cristãos, em Jerusalém, prova a dispersão para a Judeia e a Samaria (Cf. 8, 1ss). Contudo, impelidos pelo ardor missionário, os cristãos anunciam a Boa-Nova de Cristo aos povos que o encontram.

Filipe, um dos sete diáconos (Cf. 6,5), foi para a Samaria, onde havia preconceito contra os samaritanos, uma vez que descendiam de israelitas e estrangeiros que moravam em Israel, desde a época das invasões dos assírios (Cf. 2Rs 17,24-41). A pregação eficaz de Filipe, acompanhada de milagres, de ações salvíficas (Cf. 8, 6-7), remete ao estilo de Jesus (Cf. Mt 8,29; 11,5). O anúncio do evangelho liberta as pessoas dos males e das doenças e revela a presença do Reino de Deus.

O povo ouve as palavras anunciadas com entusiasmo por Filipe, chamado de evangelista em 21,8, e adere a Cristo com alegria. Homens e mulheres são batizados e forma-se uma comunidade renovada. Os apóstolos Pedro e João são enviados pela comunidade de Jerusalém para reforçar e confirmar a missão de Filipe.

Ao chegarem à Samaria, impuseram-lhes as mãos e os batizados receberam o Espírito Santo. Animadas e iluminadas na caminhada de fé pela ação do Espírito Santo, as comunidades cristãs rompem as barreiras. O Espírito da unidade proporciona o surgimento de comunidades fundamentadas no amor de Cristo e na comunhão fraterna.

O salmo 65(66) convida a louvar e bendizer o Senhor, pois Ele revela sua bondade ao longo da história, socorrendo sempre os que clamam com confiança. A memória das grandes ações libertadoras de Deus, como a passagem pelo mar Vermelho, transforma-se em agradecimento e compromisso renovado na fidelidade e no amor.

A segunda leitura da primeira carta de Pedro reflete o contexto das perseguições sofridas pelos cristãos, no final do primeiro século e início do segundo. Os cristãos, ao serem levados diante das autoridades e dos tribunais e interrogados sobre sua fé, devem estar “sempre prontos para dar a razão da esperança” (3,15).

Com o coração santificado, transformado pela vida nova do Ressuscitado, os cristãos testemunham “com mansidão, respeito e com boa consciência” (3,16), quando difamados e ultrajados. A esperança em Cristo leva a manter a firmeza na fé, a praticar o bem em meio aos sofrimentos, evitando toda forma de maldade e violência.

Cristo, o justo que morreu pelos injustos e foi vivificado no Espírito (Cf. 3,18), é o modelo vitorioso na caminhada dos cristãos. Ele é o exemplo a seguir, pois se entregou totalmente em favor da vida de todos. O sofrimento decorre do seguimento fiel a seus passos (Cf. 2Pd 2,21; 4,12-19) e conduz à firme esperança de vida plena: “sofremos com ele, para sermos também glorificados com ele” (Rm 8,17). A esperança é a virtude cristã, que impele a trilhar o caminho da vida sobre a morte, da bondade sobre a injustiça.

3. Atualizando a Palavra

Jesus revela seu amor e sua ternura através do Espírito, que permanece sempre em nós, para nos ajudar a conservarmos viva sua memória, seus ensinamentos e suas ações compassivas e solidárias. O Espírito, chamado de Paráclito, nos defende e nos faz compreender que Jesus é a Verdade, manifestada mediante a vida, morte e ressurreição.

A vivência do amor fraterno testemunha a fidelidade a Jesus, que conduz para a vida plena. A força do espírito nos faz romper as barreiras e superar os preconceitos, para construir a unidade e a fraternidade. Com a ação do Espírito, permanecermos em comunhão com Jesus, a Verdade que liberta e ensina a amar como ele amou.

Os discípulos, guiados pelo Espírito, mantêm viva a presença de Jesus através da fidelidade ao novo mandamento do amor, sinal de sua entrega total na Páscoa. Por meio do verdadeiro amor “ágape”, testemunhamos a vida nova em Cristo ressuscitado, que leva a praticar sempre o bem.

O caminho trilhado por Cristo nos ilumina e renova em nosso compromisso de discípulos missionários, anunciadores de sua presença de amor. Como os cristãos, no tempo das perseguições, somos chamados a testemunhar a razão da nossa esperança, sobretudo através da nossa vida de ressuscitados.

O Papa Bento XVI afirma que a Igreja anuncia ao mundo o Logos da Esperança (cf 1Pd 3,15). “O homem precisa da ‘grande esperança’ para viver seu próprio presente – a esperança que é ‘aquele Deus que possui um rosto humano e que nos amou até o fim’ (Jo 13,1). Por isso, na sua essência, a Igreja é missionária. Não podemos guardar para nós as palavras de vida eterna que recebemos no encontro com Jesus Cristo: São para todos, para cada homem. Cada pessoa do nosso tempo – quer o saiba, quer não – tem necessidade deste anúncio. Oxalá o Senhor suscite entre os homens, como nos tempos do profeta Amós, nova fome e nova sede das palavras do Senhor (Cf. Am 8,11). A nós cabe a responsabilidade de transmitir aquilo que tínhamos, por graça, recebido“ (Verbum Domini, n.91).

O Papa Francisco ensina a confiar na ação do Espírito Santo, como faziam os evangelizadores das primeiras comunidades. Para manter vivo o ardor missionário, é necessária uma decidida confiança no Espírito Santo, porque Ele “vem em auxilio da nossa fraqueza” (Rm 8,26).

Mas esta confiança generosa tem de ser alimentada e, para isso, precisamos invocá-lo constantemente. Ele pode mos curar de tudo o que nos faz esmorecer no compromisso missionário. É verdade que esta confiança no invisível pode nos causar alguma vertigem: é como mergulhar em um mar onde não sabemos o que vamos encontrar. Eu mesmo o experimentei tantas vezes. Mas não há maior liberdade do que a de se deixar conduzir pelo Espírito, renunciando a calcular e controlar tudo e permitindo que ele nos ilumine, guie, dirija e impulsione para onde ele quiser. O Espírito Santo bem sabe o que faz falta em cada época e em cada momento. A isto se chama ser misteriosamente fecundos!” (Evangelii Gaudium, n. 280).

O exemplo de Cristo, deixado a nós como modelo de vida, convida a seguir seus passos, a fazer parte daqueles que não vivem mais na carne, mas acima da carne. É o que diz Paulo: “Se alguém está em Cristo, é criança nova. O mundo velho desapareceu. O que era antigo passou, agora tudo é novo” (2Cor 5,17).

Fomos justificados pela fé em Cristo e terminou o domínio da maldade. Uma vez que Ele ressuscitou por nossa causa, calcando o poder da morte, nós conhecemos aquele que, por sua própria natureza, é o verdadeiro Deus. É a ele que prestamos culto em espírito e verdade, por intermédio de seu Filho, que distribui sobre o mundo as bênçãos divinas do Pai (Cf. São Cirilo de Alexandria. Comentário sobre a segunda carta aos Coríntios, século V. Ofício da Leitura, 6º domingo da Páscoa).

4. Ligando a Palavra com ação litúrgica

O Espírito do Senhor nos reúne e nos une. Na celebração, somos fortalecidos e vivificados no Espírito que consolida nossa vocação batismal.

A vivacidade está presente na Igreja primitiva. Filipe, cheio de fé e confiança, anuncia o Cristo que sofreu e morreu, mas recebeu nova vida no Espírito. Animado pela promessa do Espírito em plenitude e já caminhando na certeza da presença deste mesmo Espírito atuante na história, os cristãos vão trilhando o caminho de Jesus.

Nas mesas eucarísticas da Palavra e da Eucaristia, o Senhor nos alimenta com o sacramento da entrega por amor. Ele nos ama, nos sintamos amados no Amor.

Na oração eucarística, invocamos o Espírito sobre o pão e o vinho, a fim de que se tornem Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Invocamos ainda o mesmo Espírito para que nos reúna. Santo Agostinho afirma: “vivendo unidos no recíproco amor, como membros ligados por tão suave vínculo, formemos o Corpo de tão sublime Cabeça” (SANTO AGOSTINHO, Dos tratados sobre o Evangelho de São João. [Tract. 65, 1-3]; CCL 36, 490-492).

Preces dos fiéis

Presidente: Elevemos a Deus nossa prece e peçamos que o Espírito da Verdade esteja presente em nossas vidas.

1. Senhor, que o clero, através do Espírito Santo, conduza a Igreja, segundo teus desígnios. Peçamos:

Todos: Mandai Senhor, o vosso Espírito!

2. Senhor, por aqueles que têm o poder, para que suas ações sejam sempre em favor da verdade, da justiça e da paz. Peçamos:

3. Senhor, que os mais necessitados não desanimem em sua caminhada, sabendo reconhecer o seu imenso amor por todos nas pequenas coisas. Peçamos:

4. Senhor, que possamos nos abrir ao dom do Espírito Santo, para o crescimento de nossa comunidade. Peçamos:

5. Senhor, que os dizimistas de nossa comunidade possam se deixar envolver pelo espírito de partilha. Peçamos:

(Outras intenções)

Presidente: Ouvi nossa prece, Senhor, e enviai sobre nós o Defensor, para que vivendo no vosso amor, sejamos testemunhas da ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor!

Todos: Amém!

III. LITURGIA EUCARÍSTICA

ORAÇÃO SOBRE AS OFERENDAS:

Presidente: Subam até vós, ó Deus, as nossas preces com estas oferendas para o sacrifício, a fim de que, purificados por vossa bondade, correspondamos cada vez melhor aos sacramentos do vosso amor. Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

ORAÇÃO APÓS A COMUNHÃO:

Presidente: Deus eterno e todo-poderoso, que pela ressurreição de Cristo nos renovais para a vida eterna, fazei frutificar em nós o sacramento pascal, e infundi em nossos corações força desse alimento salutar. Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

AGENDA DO BISPO DIOCESANO:

Dia 23 de maio – sexta-feira: Crisma São Marcos – Limeira – Padre Gilson – 19h30min.

Dia 24 de maio – sábado: às 08h30 –Reunião da Comissão de Catequese Junto às Pessoas com Deficiência, CNBB/Sul1, na residência Episcopal em Limeira, SP; e Crisma na Paróquia São Jeronimo – Americana – 19h00 – Padre Ciro Sinótti Bido.

Dia 25 de maio – domingo: Crisma Paróquia Jesus Crucificado – Padre Vladimir – 09h00 – cidade de Iracemápolis; e Crisma Senhor Bom Jesus dos Aflitos – Pirassununga – 16h00 – Padre Ismael.

Dias 26 a 29 – Atualização do Clero em Campos do Jordão, SP.

Benção Final

Presidente: O Senhor esteja convosco. Aleluia. Aleluia.

Todos: Ele está no meio de nós. Aleluia. Aleluia.

Presidente: Abençoe-vos o Deus todo-poderoso + Pai, Filho e Espírito Santo.

Todos: Amém. Aleluia. Aleluia.

Presidente: Vamos em paz e que o Senhor vos acompanhe.

Todos: Graças a Deus, Aleluia, Aleluia!

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