Reflexão para SEXTA-FEIRA SANTA DA PAIXÃO DO SENHOR

Leituras: Isaías 52,13-53,12; Salmo Responsorial 30 (31); Carta aos Hebreus 4, 14-16; 5, 7-9; João 18, 1-19, 42.

Paixão-de-Cristo

COR LITÚRGICA: VERMELHAA

(O presidente, com os acólitos entram em silêncio. Fazem vênia diante do altar e o presidente prostra-se em no chão. Todos se ajoelham. Após alguns instantes diz o animador).

 

Animador: No silêncio, somos convidados a nos colocar diante da Cruz de Cristo, é a Páscoa da Cruz, numa atitude de convertidos. A Cruz é o local da oferta extrema do amor de Cristo pela humanidade. (Todos se levantam, o Presidente reza:)

Presidente: Ó Deus, foi por nós que o Cristo, vosso Filho, derramando o seu sangue, instituiu o mistério da Páscoa. Lembrai-vos sempre de vossas misericórdias, e santificai-nos pela vossa constante proteção. Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

 

1. Situando-nos

Neste dia, em que “Cristo, nosso Cordeiro Pascal foi imolado”, a Igreja, com a meditação da paixão do seu Senhor e Esposa e adorando a cruz, comemora seu nascimento do lado de Cristo que repousa na cruz e intercede pela salvação do mundo todo.

 

A Igreja, seguindo uma antiquíssima tradição, neste dia não celebra a Eucaristia; a sagrada Comunhão é distribuída aos fiéis só durante a celebração da paixão do Senhor, aos doentes, impossibilitados de participar desta celebração, pode-se levar a Comunhão a qualquer hora do dia. (Paschalis Sollemnitatis, Carta Circular da Congregação para o Culto Divino, 1988, n.58-59).

Não estamos reunidos para “recordar” um fato do passado que aconteceu 20 séculos atrás, mas sim, um mistério. Na celebração “como aniversário”, explica Santo Agostinho, só é preciso “indicar com uma solenidade religiosa o dia exato do ano no qual se repete a recordação do próprio acontecimento”; na celebração como mistério (“em sacramento”), “não só se comemora um evento, mas é realizado de maneira que se compreenda o seu significado e seja acolhido santamente”.

 

Isto muda tudo. Não se trata só de assistir a uma representação, mas de “receber” o seu significado, de passar de espectadores para atores. Por conseguinte, depende de nós escolher qual parte queremos representar no drama, quem desejamos ser: Pedro, Judas. Pilatos, a multidão, o Cirineu, João ou Maria. Ninguém pode permanecer neutro; não tomar posição é tomar uma muito exata: a de Pilatos que lava as mãos (Cf. Mt 27,24) ou a da multidão que de longe “observava” (Cf. Lc 23,35).

 

Se ao voltar para casa hoje, alguém nos perguntar: “De onde vens”? Onde estiveste?”, respondamos, pelo menos no coração: “No Calvário!”.

 

Mas tudo isto não acontece automaticamente, só porque participamos nesta liturgia. Trata-se – dizia Santo Agostinho – de “acolher” o significado do mistério. Isto acontece com a fé. Não há música onde não há ouvidos que a ouçam, por mais alto que a orquestra toque; não há raça, onde não há uma fé que acolha.

 

Numa homilia pascal do século IV, o bispo pronunciava estas palavras existenciais: “Para cada homem, o princípio da vida é que Cristo foi imolado por ele. Mas Cristo imola-se por ele no momento em que reconhece a graça e se torna consciente da vida que lhe foi providenciada por aquela imolação” (Cf. Homilia de Raniero Cantalamessa, Sexta-feira Santa, 2009 e 2012).

 

Isto aconteceu conosco, sacramentalmente, no Batismo, mas deve acontecer conscientemente sempre de novo na vida. Antes de morrer, devemos ter a coragem de praticar um ato de audácia: apropriarmo-nos da vitória de Cristo.

 

Por isso, a Sexta-feira Santa não é considerada um dia de luto ou de pranto, mas dia de amorosa contemplação do sacrifício de Jesus, fonte da nossa salvação. Hoje a Igreja não faz um funeral, mas celebra a morte vitoriosa e Cristo.

 

2. Recordando a Palavra

O publicano da parábola subiu ao templo para rezar; disse simplesmente, mas do fundo do coração:  “Meu Deus, tem compaixão de mim, que sou pecador!” , e (…) voltou para casa justificado! (Lc 18,14), reconciliado, feito novo, inocente. O mesmo, se tivermos a sua fé e o seu arrependimento, poder-se-á dizer de nós, voltando para casa depois desta liturgia. Por isso, entre os personagens da paixão com os quais podemos nos identificar e, quem sabe, aquele que mais espera que sigam os eu exemplo: o bom ladrão.

 

O bom ladrão faz uma completa confissão de pecador; diz ao seu companheiro que insulta Jesus: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma pena? Para nós, é justo sofrermos, pois estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal” (Lc 23,40). O bom ladrão demonstra-se um excelente teólogo. De fato, só Deus sofre absolutamente como inocente; outro ser que sofre deve dizer: “sofro injustamente”, porque embora não seja responsável pela ação que me é atribuída, nunca sou totalmente sem culpa. Só o sofrimento das crianças inocentes se assemelha com o de Deus e por isso é tão misterioso e sagrado.

 

Quantos delitos graves permaneceram nos últimos tempos sem um culpado, quantos casos sem solução! Pensemos nos inúmeros casos de corrupção e de desvios do dinheiro público em nosso país. O bom ladrão lança um apelo aos responsáveis: fazei como eu, denunciai-vos, confessai a vossa culpa: experimentareis também vós a alegria que senti quando ouvi a palavra de Jesus: “Hoje estarás comigo no paraíso!” (Lc 23,43).

 

Quantos réus confessos podem confirmar que foi assim também para eles: passaram do inferno para o paraíso no dia em que tiveram a coragem de se arrepender e confessar a própria culpa. O paraíso prometido é a paz da consciência, a possibilidade de se olhar no espelho ou para os próprios filhos sem sentir desprezo por si mesmo.

 

Aos Coríntios, São Paulo escreve em forma de manifestos: “Os Judeus pedem sinais, como os Gregos buscam a sabedoria. Nós, porém, proclamamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os pagãos. Mas para os que são chamados, tantos judeus como gregos, Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Cor 1, 22-24). A morte de Cristo tem um alcance universal: “O Amor de Cristo nos impele considerando que um só morreu por todos, todos e, portanto morreram” (2Cor 5,14). Sua morte deu um sentido novo à morte de cada homem e mulher.

 

Aos olhos de Paulo a cruz assume uma dimensão cósmica. Sobre ela Cristo derrubou o muro da separação, reconciliou os homens com Deus e entre si, destruindo a inimizade (Cf. Ef 2,1 4-16),. A partir daí a antiga tradição desenvolverá o tema da cruz como árvore cósmica que, com o braço vertical, une céu e terra, e, com o braço horizontal, reconcilia entre si os diversos povos do mundo. Evento cósmico e ao mesmo tempo personalíssimo: “me amou e se entregou por mim!” (Gl 2,20). Cada homem, escreve o Apóstolo, é uma “para aquele por quem Cristo morreu” (Rm 14,15).

 

De tudo isso nasce o sentimento da cruz, não mais como castigo, rejeitando o argumento de aflição, mas glória e louvor do cristão, isto é, como uma jubilosa segurança, acompanhada pela comovida gratidão, à qual o homem se alça na fé: “Quanto a mim, que eu me glorie somente da cruz do nosso Senhor, Jesus Cristo” (Gl 6,14).

 

3. Atualizando a Palavra

Paulo plantou a cruz no centro da Igreja como mastro principal no centro do navio; tornou-se fundamento e centro de gravidade de tudo. Fixou para sempre o quadro do anuncio cristão. Os evangelhos, escritos depois dele, seguiram o esquema, fazendo do relato da paixão e morte de Cristo a base sobre a qual tudo será orientado.

 

Fica-se atônito frente à empresa levada adiante pelo Apóstolo. Para nós hoje é relativamente fácil ver as coisas nesta luz, depois que a cruz de Cristo, como dizia Santo Agostinho, “brilhou na terra e brilha agora sobre a coroa do rei” (S. Agostinho, Enarr. In Psalmos, 54, 12); Quando Paulo escrevia, ela era ainda sinônimo da maior ignomínia, algo que não se devia nem nominar entre pessoas educadas.

 

Cristo deu um conteúdo radicalmente novo à idéia de sacrifício. Nisso não é mais o homem a exercitar uma influencia sobre Deus para quer este se aplaque. Bem ao contrário, é Deus a agira a fim de que o homem desista da própria inimizade contra ele e contra o próximo. A salvação não inicia com a busca da reconciliação por parte do homem, mas sim com a busca de Deus: “Deixai-vos reconciliar com Ele” (cf. 2 Cor 5,11-21).

 

O fato é que Paulo leva a sério o pecado, não o banaliza. O pecado é, para ele, a causa principal da infelicidade do homem, isto é, a rejeição de Deus! Isso prende a criatura humana na “mentira” e na “injustiça” (cf. Rm 1,18ss; 3,23), condena o próprio cosmo material à “vaidade” e à “corrupção” (cf. Rm 8,19ss) e é a causa ultima também dos males sociais que afligem a humanidade.

 

Fazem-se análises sem fim da crise econômica em ação no mundo e de suas causa, mas quem ousa meter o machado na raiz e falar do pecado? O Apóstolo define a avareza insaciável uma “idolatria” (cf. Col 3,5) e adiciona na desenfreada ganância de dinheiro “a raiz de todos os males” (cf. 1Tm 6,10). Podemos dizer que está errado? Por que tantas famílias perderam tudo, massas de operários que permanecem sem trabalho, se não pela sede insaciável de lucro por parte de alguns? A elite financeira e econômica mundial se tornou uma locomotiva louca que avançava em curso desenfreado, sem pensar no restante do trem que ficou parado à distancia sobre os trilhos.

 

Com sua morte, Cristo não somente venceu o pecado, mas também deu um sentido novo ao sofrimento, também àquele que não depende do pecado de ninguém. Fez-lhe instrumento de salvação, um caminho à ressurreição e à vida. “Entregue por causa de nossos pecados, ressuscitado para nossa justificação” (Rm 4,25): os dois eventos são inseparáveis no pensamento de Paulo e da Igreja.

 

No cálculo humano, o dia inicia com a manha e termina com a noite; para a Bíblia começa com a noite e termina com dia: “E foi tarde e foi manha: primeiro dia” (cf. Gn 1,5), recita o relato da criação. Não é sem significado que Jesus morreu à noite e ressuscita pela manhã. Sem Deus, a vida é um dia que termina na noite; com Deus é uma noite eu termina no dia, e um dia sem ocaso.

 

Cristo não veio, portanto, para aumentar o sofrimento humano ou a pregar a resignação dessa; veio para dar-lhe um sentido e anunciar o fim e a superação. O sofrimento se torna um mistério para todos, especialmente o sofrimento dos inocentes, mas sem a fé em Deus ele se torna imensamente mais absurdo. Se lhes tiram a última esperança de resgate. O ateísmo é um luxo que pode ser concedido só aos privilegiados pela vida, aqueles que possuem tudo.

 

Deus é capaz de fazer de seus negadores mais obstinados os apóstolos mais apaixonados. Paulo é a demonstração disso. Que havia feito Saulo de Tarso para merecer aquele encontra extraordinário com Cristo? Em que havia acreditado, esperado, sofrido? É assim que ele explica seu chamado: “Pois eu sou o menor dos apóstolos, nem mereço o nome de apostolo, pois eu persegui a Igreja de Deus. É pela graça de Deus que sou o que sou. E a graça que ele reservou para mim não foi estéril; a prova é que tenho trabalhado mais que todos eles, não propriamente eu, mas a graça de Deus comigo” (1Cor 15, 9-10).

 

A cruz de Cristo é motivo de esperança para todos, também para quem não crê. Antes do rito da adoração da cruz, faremos a Oração. É uma antiqüíssima oração que exprime verdadeiramente a abertura universal da comunidade, consciente de que a salvação de Cristo é oferecida para todas as pessoas.

 

4. Ligando a Palavra com ação litúrgica

A Igreja inicia a celebração da Paixão do Senhor com o gesto de os ministros prostrarem-se e todos rezarem em silêncio. É um gesto que exprime a amorosa contemplação da entrega sem limites de Jesus, fonte de nossa salvação. Hoje, não celebramos um funeral, mas a morte vitoriosa do Senhor. Olhando para a cruz, cantamos:”Vitória! Tu reinarás! Ó Cruz! Tu nos salvarás!”.

 

O elemento central e universal da liturgia da Sexta-feira Santa é a proclamação da Palavra de Deus, em que se dedica particular atenção à narrativa da Paixão de Jesus Cristo, segundo João. Da proclamação da paixão de Jesus, brota a oração de súplica a Deus para que, em sua misericórdia, lembre-se e santifique a Igreja, o Papa, os Bispos, os Catecúmenos, os judeus, todos os que sofrem provações.

 

A atenção da Igreja fixa-se no Calvário. Na solene adoração da santa cruz, trazida em procissão e apresentada à assembléia dos cristãos, não se adora em si mesma, mas Aquele que, do lenho, doou sua vida para nossa salvação. “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. Vinde, adoremos!”. Assim, adoramos, Senhor, vosso madeiro; vossa Ressurreição nós celebramos. Veio a alegria para o mundo inteiro, por essa cruz que hoje vereamos.!”

 

O povo adora e aclama a vitória do amor sobre o ódio e a violência; da verdade sobre a mentira; da justiça de Deus sobre a injustiça dos poderosos. Beijando a cruz do Senhor, manifestamos nosso compromisso solidário com a causa pela qual o Filho de Deus doou sua vida.

 

Ao comungarmos seu corpo, assimilamos sacramentalmente sua entrega pela salvação da humanidade, a fim de que possamos viver o que e como Ele viveu. Por esta razão, após a comunhão, o ministro reza: “Ó Deus, que nos renovastes pela santa morte e Ressurreição do vosso Cristo, conservai em nós a obra de vossa misericórdia, para que, pela participação deste mistério, vos consagremos toda a nossa vida” (Oração de comunhão da Sexta-feira Santa).

 

ORAÇÃO UNIVERSAL

Animador: Este é o segundo momento de nossa celebração, onde a Paixão é rezada. No dia da celebração da paixão de Cristo para a salvação de todos, a Igreja abre os braços e o coração para realizar uma oração de intercessão pela salvação do mundo. A Igreja, tem por cabeça o Cristo Sacerdote, em nome e por meio dele apresenta ao Pai suas grandes intenções. Toda a humanidade é trazida nesta oração aos pés da Cruz, na qual Cristo morre, é o primeiro resultado da morte de Cristo; abrir-se e preocupar-se com o mundo inteiro.

(Momento de silêncio. Pode ser colocado diante do altar um pote com brasas e a cada oração jogar um pouco de incenso)

 

Oração pela Igreja

Animador: Rezemos pela nossa Igreja aqui e no mundo inteiro.

Leitor: Oremos, irmãos e irmãs caríssimos, pela Santa Igreja de Deus: que o Senhor nosso Deus lhe dê a  paz e a unidade, que ele a proteja por toda a terra e nos conceda uma vida calma e tranqüila, para sua  própria  glória! (Momento de silêncio)

Presidente: Deus eterno e todo-poderoso, que em Cristo revelastes a vossa Glória a todos os povos, velai sobre a obra do vosso amor. Que a vossa Igreja, espalhada por todo mundo, permaneça inabalável na fé e proclame sempre o vosso nome! Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

 

Oração pelo Sumo Pontífice

Animador: Rezemos pelo papa Francisco que tem como missão coordenar a unidade da Igreja.

Leitor: Oremos pelo nosso santo Padre, o papa Francisco. O Senhor nosso Deus, que o escolheu para o Episcopado, o conserve são e salvo à frente de sua Igreja, governando o povo de Deus! (Momento de silêncio)

Presidente: Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes todas as coisas com sabedoria, dignai-vos escutar nossos pedidos: protegei com amor o Pontífice que escolhestes, para que o povo cristão que governais por meio dele possa crescer em sua fé! Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

 

Oração pelo bispo diocesano

Animador: Rezemos pelo nosso Bispo Dom Vilson, por todo o nosso clero e pelos cristãos leigos.

Leitor: Oremos pelo nosso Bispo Dom Vilson, por todos os bispos, presbíteros e diáconos da Igreja e por todo o povo fiel! (Momento de silêncio).

Presidente: Deus eterno e todo-poderoso, que santificais e governais pelo vosso Espírito todo o corpo da igreja, escutai as súplicas que vos dirigimos por todos os ministros do vosso povo. Fazei que cada um, pelo dom da vossa graça, vos sirva com fidelidade. Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

 

Oração pelos catecúmenos ou todos os batizados

Animador: Rezemos pelos catecúmenos, ou seja, todos os que são batizados.

Leitor: Oremos pelos catecúmenos: que o Senhor nosso Deus abra os seus corações e as portas da misericórdia, para que, tendo recebido nas águas do batismo o perdão de todos os seus pecados, sejam incorporados no Cristo Jesus! (Momento de silêncio)

Presidente: Deus eterno e todo-poderoso, que por novos nascimentos tornais fecunda a vossa Igreja, aumentai a fé e o entendimento dos catecúmenos, para quem renascidos pelo batismo, sejam contados entre os vossos filhos adotivos. Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

 

Oração pelas Igrejas cristãs e pela unidade dos cristãos

Animador: Rezemos por todas as Igrejas cristãs e pela unidade dos cristãos. Pelas comunidades evangélicas de nossa cidade e seus pastores. Pelos que oram e trabalham pela união das igrejas.

Leitor: Oremos por todos os nossos irmãos que crêem no Cristo, para que o Senhor nosso Deus se digne reunir e conservar na unidade da sua Igreja todos os que vivem segundo a verdade! (Momento de silêncio)

Presidente: Deus eterno todo-poderoso, que reunis o que está disperso e conservais o que está unido, velai sobre o rebanho do vosso Filho. Que a integridade da fé e os laços da caridade unam os que foram consagrados por um só batismo! Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

 

Oração pelos judeus

Animador: Rezemos pelas comunidades israelitas.

Leitor: Oremos pelos judeus, aos quais o Senhor nosso Deus falou em primeiro lugar, a fim de que cresçam na fidelidade de sua aliança e no amor do seu nome!(Momento de silêncio)

Presidente: Deus eterno e todo-poderoso, que fizestes vossas promessas a Abraão e seus descendentes, escutai as preces da vossa Igreja. Que o povo da primitiva aliança mereça alcançar a plenitude da vossa redenção! Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

 

Oração pelos que não crêem no Cristo

Animador: Rezemos por aqueles que não crêem no Cristo.

Leitor: Oremos pelos que não crêem no Cristo, para que, iluminados pelo Espírito Santo, possam também ingressar no caminho da salvação!(Momento de silêncio)

Presidente: Deus eterno e todo-poderoso, dai aos que não crêem no Cristo e caminham sob o vosso olhar com sinceridade de coração, chegar ao conhecimento da verdade. E fazei que sejamos no mundo testemunhas fiéis da vossa caridade, amando-nos melhor uns aos outros e participando com mais solicitude do mistério da vossa vida! Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

 

Oração pelos que não crêem em Deus

Animador: Rezemos pelos que não crêem em Deus e pelas pessoas que estão em crise de fé.

Leitor: Oremos pelos que não reconhecem a Deus, para que buscando lealmente o que é reto,

possam chegar ao Deus verdadeiro. (Momento de silêncio)

Presidente: Deus eterno e todo-poderoso, vós criastes todos os seres humanos e pusestes em seu coração o desejo de procurar-vos para que, tendo-vos encontrado, só em vós achassem repouso. Concedei, que, entre as dificuldades deste mundo, discernindo os sinais da vossa bondade e vendo o testemunho das boas obras daqueles que crêem em vós, tenham a alegria de proclamar que sois o único Deus verdadeiro e Pai de todos os seres humanos! Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

 

Oração pelos dirigentes das nações

Animador: Rezemos pelos que dirigem os destinos das nações.

Leitor: Oremos por todos os governantes: que o nosso Deus e Senhor, segundo sua vontade, lhes dirija o espírito e o coração para que todos possam gozar da verdadeira paz e liberdade!

(Momento de silêncio)

Presidente: Deus eterno e todo-poderoso, que tendes na mão o coração dos seres humanos e o direito dos povos, olhai com bondade aqueles que nos governam. Que por vossa graça se consolidem por toda a terra a segurança e a paz, a prosperidade das nações e a liberdade religiosa! Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

 

Oração pelos que sofrem

Animador: Rezemos por todas as pessoas que sofrem. Pelos povos indígenas ameaçados de morte, pelos sofredores das ruas de nossas cidades, pelas pessoas que estão nas prisões, pelos doentes de nossas comunidades, pelas vítimas da fome e da violência, pelos desempregados.

Leitor: Oremos, irmãos e irmãs, a Deus Pai todo-poderoso, para que livre o mundo de todo erro, expulse as doenças e afugente a fome, abra as prisões e liberte os cativos, vele pela segurança dos viajantes e transeuntes, repatrie os exilados, dê a saúde aos doentes e a salvação aos que agonizam! (Momento de silêncio).

Presidente: Deus eterno e todo-poderoso, sois a consolação dos aflitos e a força dos que labutam. Cheguem até vós as preces dos que clamam em sua aflição, sejam quais forem os seus sofrimentos, para que se alegrem em suas provações com o socorro da vossa misericórdia. Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

 

ADORAÇÃO DA SANTA CRUZ

Animador: Vamos iniciar nosso terceiro momento, onde a Paixão é adorada. A liturgia está centrada no sacrifício de Cristo. Por isso se apresenta a Cruz para a adoração. Não adoramos a madeira da Cruz, mas a pessoa de Cristo crucificado e o mistério significado por esta morte por nós. Mesmo sendo um momento de morte, a liturgia não deixa de proclamar que Cristo está vivo e ressuscitado.

 

Entrada da Cruz – (Entrada da cruz velada)

 

RITO DA COMUNHÃO

Animador: Vamos iniciar nosso quarto momento onde a Paixão é comungada. O momento da comunhão é a profissão de fé no Cristo que está vivo e que, pela comunhão, nos torna um só corpo com Ele. O sangue que nos remiu nos livrou da morte e do mal, afastou o tentador, que queria dominar sobre nós e estabelecer em nós o mal, e introduziu-nos no Reino de justiça, de amor e de paz.

 

Pai nosso / Oração pela paz / Comunhão / Canto

 

Oração depois da comunhão

Ó Deus, que nos renovastes pela santa morte e ressurreição do vosso Cristo, conservai em nós a obra de vossa misericórdia, para que, pela participação deste mistério, vos consagremos sempre a nossa vida. Por Cristo nosso Senhor.

Todos: Amém.

 

Animador: Nesta tarde, olhamos para Maria. Tudo parecia tão incompreensível. Não entendia porque seu Filho teria de morrer tão jovem, e principalmente dessa maneira, mas aceita a vontade do Pai. Por que teria que ser este cálice e não outro, para salvar o mundo? Por que o esperado por tanto tempo teria que ser interrompido intempestivamente no começo de sua tarefa? Meu Pai, em teus braços deposito meu querido filho. Foi o holocausto perfeito, a oblação total. Maria adquiriu uma estatura espiritual vertiginosa; nunca foi tão pobre nem tão grande, parecia uma pálida sombra, mas tinha ao mesmo tempo a estampa de uma rainha. Nessa tarde, a fidelidade levantou um altar no cume mais alto do mundo.

 

Entrada de Nossa Senhora das Dores – (A imagem entra e é colocada ao lado da Cruz)

 

Oração sobre o povo

Presidente: Que vossa benção, ó Deus, desça copiosa sobre o vosso povo que acaba de celebrar a morte do vosso Filho, na esperança da sua ressurreição. Venha o vosso perdão, seja dado o vosso consolo; cresça a fé verdadeira e a redenção se confirme! Por Cristo, nosso Senhor!

Todos: Amém.

(Todos se retiram em silêncio)

 

AGENDA DO BISPO DIOCESANO:

Dia 03 de abril – Sexta-feira Santa: Adoração da Cruz – Quase Paróquia Santa Luzia, às 15h00 – Padre Anderson – Cordeirópolis, SP.

 

Dia 04 de abril – Sábado Santo: Vigília Pascal – Catedral – às 20h00 – Pe. Benedito Tadeu – Limeira, SP.

 

Dia 05 de abril – Domingo de Páscoa: Missa da Ressurreição – Paróquia Santo Antônio de Pádua – Padre Valdinei – 07h00 – Cordeirópolis; Missa da Páscoa na Catedral – às 10h00 – Pe. Benedito Tadeu – Limeira, SP.

 

1. ASPECTOS CELEBRATIVOS

Esta solene ação litúrgica consta de três partes: Liturgia da Palavra, Adoração da Cruz e Comunhão Eucarística. O altar, desnudado ao fim da liturgia do dia anterior, assim permanece. Igualmente as cruzes (e imagens, onde for costume) também permanecem veladas. A cruz é apresentada à assembleia, não como sinal de luto e tristeza, mas como instrumento pelo qual nos veio a salvação. Para tanto, através dela, rendemos adoração ao Cristo Redentor.
1.1 – O QUE PROVIDENCIAR

Para esta solene ação litúrgica, deve-se providenciar, em lugar apropriado, uma cruz (coberta com véu, caso se adote a primeira forma de apresentação) e dois castiçais. Para o presbitério, importante haver o missal romano, lecionário, toalha e corporais. Quanto ao altar da Reposição, separar véu umeral (para diácono ou presidente da celebração) e dois castiçais.
2. CELEBRAÇÃO E QUESTÕES PRÁTICAS

O presidente da celebração, ao se aproximar do altar, em clima de absoluto silêncio, prostra-se ou ajoelha-se diante dele por alguns instantes. A assembleia também permanece em silêncio orante, de joelhos. Em seguida, é proferida oração, sem o “oremos”.
2.1 – LITURGIA DA PALAVRA

Imediatamente após a oração, inicia-se a Liturgia da Palavra. Na narração da Paixão de Nosso Senhor, é costume, assim como no Domingo de Ramos, haver distribuição de funções para mais leitores, de acordo com as personagens, havendo, para tanto, a figura do narrador. Toda a igreja se ajoelha silenciosamente quando do anúncio da morte de Jesus. Não se beija o livro ao final da narração.
2.1.1 – Oração Universal

Após a homilia, inicia-se a oração universal, com dez preces específicas, a saber: pela Santa Igreja, pelo Papa, por todas as ordens e categorias de fiéis, pelos catecúmenos, pela unidade dos cristãos, pelos judeus, pelos que não creem no Cristo, pelos que não creem em Deus, pelos poderes públicos e por todos os que sofrem provações. Durante essas preces é facultada à assembleia permanecer ou não de joelhos.
2.1.2 – Adoração da Cruz

Logo depois da oração universal, tem início a adoração da Cruz, costume que se originou em Jerusalém a partir do Século IV, e que pode ocorrer de duas formas. Na primeira forma, um diácono (ou um acólito) parte do fundo da igreja com a cruz velada, acompanhada por duas velas acesas. A cruz é entregue ao presidente da celebração, junto ao altar, e este vai descobrindo-a em três partes, apresentando-a para adoração dos fiéis, entoando a cada parte descoberta a fórmula invitatória “Eis o lenho da Cruz do qual pendeu a salvação do mundo”. A assembleia responde: “Vinde, adoremos!”. Após, todos se ajoelham por alguns momentos, em adoração, enquanto o presidente, em pé, sustenta a cruz. Em seguida, inicia-se a adoração, com a cruz colocada frente ao presbitério, ladeada pelas velas.

Para a adoração, esta se inicia com o presidente da celebração, seguido do diácono e ministros, e sequenciado pelo povo. A cruz é saudada com uma simples genuflexão, ou outro sinal adequado, de acordo com o costume local, como o beijo. Enquanto isso canta-se antífonas específicas ou outros cantos adequados.

Não pode haver mais de uma cruz exposta para a adoração. Caso a assembleia seja numerosa, após a adoração do presidente, membros do clero e parte dos fiéis, o presidente toma a cruz, dirigindo-se para junto do altar e de lá convida a assembleia a adorar a cruz. Em seguida, eleva a cruz durante algum tempo, enquanto os fiéis adoram-na em silêncio (cf. CB 323). Após o momento de adoração, a cruz fica exposta próximo do altar, ladeada pelas velas.

2.1.3 – Sagrada Comunhão

Para a Sagrada Comunhão, dois castiçais acompanham as ambulas que estavam no lugar da reposição pelo caminho mais curto entre este lugar e o altar. Enquanto isso, o altar já estará revestido da toalha; castiçais são colocados sobre o altar ou junto dele. A assembleia acompanha o momento ficando em pé.
Uma vez depositadas as ambulas sobre o altar, o presidente genuflecte diante do Santíssimo e procede ao rito de comunhão, excetuando-se a oração pela paz e consequente saudação. Após a distribuição da Comunhão, as ambulas são reconduzidas para o altar da Reposição. Não se volta as ambulas para o sacrário, a menos que as circunstâncias assim exijam (cf. CB 328).
2.1.4 – Bênção sobre o povo e final da ação litúrgica

Uma vez observado o silêncio sagrado, o presidente da celebração recita a oração depois da comunhão. Em seguida, profere, de mãos estendidas, a bênção sobre o povo. Em seguida, genuflecte diante da cruz e se dirige para a sacristia. A assembleia se retira em absoluto silêncio. O altar torna a ficar desnudado em tempo oportuno.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os mesmos cuidados devem ser levados em consideração em relação a outras liturgias dessa semana. A questão do microfone, que deve ser em número maior, caso haja leitores na narração da Paixão. Neste dia, não se beija o livro ao final da narração da Paixão, tampouco se incensa ou se ladeia com tochas.
Na oração universal, cada prece é constituída de uma fórmula invitatória antes da oração proferida pelo presidente da celebração. Esta fórmula pode ser proferida por um diácono, no ambão.
Mesmo no início da ação litúrgica, onde for costume, estende-se um tecido roxo à frente do altar, onde o presidente da celebração se prostrará com rosto por terra.
Caso a apresentação da cruz ocorra conforme a primeira forma, seja o tecido preso por alfinetes, laços ou velcros que facilitem a descoberta por partes. A cor do véu usado deve ser roxa e a cruz deve conter a imagem de Cristo crucificado.

 

Para a adoração da cruz, é recomendado que acólitos, ministros ou outras pessoas sejam designadas para limpar com tecido as partes beijadas pelos fiéis, caso esse sinal seja costume da comunidade.
É preciso ter em mente que o termo “adorar” empregado nessa ação litúrgica não nos induz à adoração de imagem. Revivendo o drama da paixão e morte de Cristo, o adoramos enquanto Senhor crucificado que deu-nos vida por sua morte.

4. COLETA PARA A TERRA SANTA

Neste dia é importante que se faça a coleta que será enviada para as igrejas da Terra Santa. Algumas comunidades o promovem durante a adoração da cruz, mas pode também ser realizado durante a dispersão da assembleia, de modo sereno.
À noite, é costume haver procissões pelas ruas. Cada comunidade paroquial tende a organizar uma e até mesmo preparar uma dramatização da Paixão de Cristo. Embora sendo um momento de devoção popular não obrigatório, é a oportunidade que temos de manifestar publicamente nossa fé no Cristo morto e ressuscitado.

 

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